—A partir de amanhã, cada um vai cuidar do próprio dinheiro — declarou Viktor com um sorriso satisfeito, enquanto cortava o hambúrguer como se estivesse falando apenas do jantar, e não prestes a dividir ao meio os alicerces do próprio casamento.
Suas palavras caíram sobre a mesa como uma pedra pesada.
Marina o observou, atônita, enquanto ele devorava, garfada após garfada, o jantar que ela havia preparado ao amanhecer. Conhecia aquele homem havia quinze anos. Pelo menos era o que pensava.
— Vitya… você está falando sério? — perguntou, pousando lentamente o garfo.
— Completamente sério. Fiz todas as contas. Sou eu quem ganha o dinheiro, então sou eu quem decide como ele será gasto.
Marina o examinou em silêncio.
A risca cuidadosamente feita no cabelo.
O fio grisalho na têmpora.
A ruga cada vez mais profunda entre as sobrancelhas.
E, de repente, sentiu como se estivesse diante de um estranho.
— Então você quer que cada um viva apenas com o próprio dinheiro?
— Exatamente. Vou te dar uma quantia para as despesas do Dani e mais um valor para suas coisas. Roupas, cosméticos e essas outras despesas femininas serão problema seu.
— E a comida? As contas da casa? Os produtos de limpeza?
— Isso eu pago. Mas apenas o que eu uso. Meu café. Minha carne. Meu xampu.
Marina soltou uma risada incrédula.
— Então agora vamos dividir até a geladeira ao meio?
— Não dramatize. Vamos apenas respeitar a propriedade de cada um.
— Quando falei em espaço pessoal, Viktor, eu estava pensando numa prateleira do armário.
— Eu apenas aperfeiçoei a ideia.
Marina respirou fundo.
Exatamente como aprendera nos exercícios respiratórios do Dani.
Ainda queria acreditar que aquilo era alguma piada idiota.
Que o marido acabaria rindo.
Mas Viktor não riu.
Na manhã seguinte, ele já estava sentado à mesa com um bloco de anotações.
Traçou colunas.
Escreveu números.
Circulou valores.
Agia como se estivesse planejando o orçamento de uma empresa, não desmontando a própria família.
— O orçamento mensal do Dani será de quinze mil. Para roupas, você terá cinco mil. Se precisar de mais, deverá solicitar.
— Certo.
— Eu farei as compras da casa. Vou comprar apenas o que eu precisar.
— E o que eu ou o Dani precisarmos?
— Sai da sua parte.
— Ou seja, a comida do nosso filho também será paga por mim?
— Você é a mãe dele. Vai dar um jeito.
Marina assentiu.
— Entendi. Então vou cozinhar para o Dani. E para mim.
— E para mim?
— Para você, não.
Pela primeira vez, Viktor levantou os olhos.
— Como assim?
— Significa que, se o meu tempo não tem valor e o seu dinheiro serve apenas para você, então o meu trabalho também servirá apenas para mim e para o meu filho.
— Você está distorcendo minhas palavras.
— Não. Estou seguindo suas regras.
O café foi o primeiro a acabar.
Numa manhã de sábado, Viktor encontrou vazia sua caixa favorita de café.
— Marina, acabou o café.
— Eu sei.
— Por que você não comprou mais?
— Com qual dinheiro? Com o orçamento do Dani?
— Com o dinheiro da casa.
— Não existe mais dinheiro da casa, Viktor. Lembra?
Naquela manhã, ele bebeu água.
Ao meio-dia, abriu a geladeira.
Nas prateleiras havia recipientes cuidadosamente etiquetados:
“Café da manhã do Dani.”
“Almoço do Dani.”
“Lanche do Dani.”
Na prateleira dele, havia apenas um pote de mostarda e um pacote velho de pelmeni congelado.
— O que significa tudo isso?
— Organização.

— E o meu almoço?
— Está na sua prateleira.
— Você está zombando de mim.
— Não. Estou sendo coerente.
Na sexta-feira, Viktor já vagava pela casa como um visitante.
Suas camisas limpas haviam acabado.
A geladeira estava praticamente vazia.
Mas da cozinha vinham risadas.
Marina e Dani comiam frango assado com batatas, enquanto uma panela de sopa esfriava sobre o fogão.
Para duas pessoas.
— Marina, isso não pode continuar assim.
— Por que não? Estamos fazendo exatamente o que você quis.
— Eu não pensei que você levaria tudo tão ao pé da letra.
— E como as regras devem ser seguidas? De acordo com o humor do dia?
Viktor sentou-se, exausto.
— Vamos voltar ao sistema antigo.
— Qual parte dele?
— À parte em que tudo era compartilhado.
— Não.
A palavra saiu calma.
Mas soou como uma porta se fechando para sempre.
— Por quê?
Marina olhou diretamente nos olhos dele.
— Porque esta semana eu fiz as contas. Todas as contas. Todas as compras. Todas as horas que passei, durante quinze anos, mantendo nossa família funcionando.
— E daí?
— E descobri que você nunca considerou isso uma contribuição. Apenas achou que era obrigação minha.
O rosto de Viktor empalideceu.
— Marina…
— Antes, eu queria que você percebesse. Que entendesse. Que pedisse desculpas. Agora, não quero mais.
— Do que você está falando?
Marina deslizou uma pasta sobre a mesa.
— Do divórcio.
O silêncio tornou-se quase insuportável.
— Por causa de um café?
Marina sorriu amargamente.
— Não. Porque o homem com quem vivi durante quinze anos me tratou como uma parasita enquanto comia o jantar preparado pelas minhas próprias mãos.
Viktor permaneceu imóvel.
Lentamente compreendeu que havia perdido o jogo.
Um jogo cujas regras ele mesmo inventara.
E o pior de tudo era que já não conseguia lembrar qual havia sido o último momento em que ainda era possível voltar atrás.







