„Taxista insulta criança doente, mas a reação da mãe surpreende a todos!“

HISTÓRIAS DE FAMÍLIA

Angelina tinha apenas 27 anos, mas já havia enfrentado mais desafios do que muitos poderiam suportar em toda uma vida.

Ela era mãe de Misha, um menino de sete anos que nasceu com síndrome de Down.

Durante a gravidez, os médicos haviam alertado para a possibilidade de sérios problemas no desenvolvimento,

mas o diagnóstico definitivo só foi dado nos últimos meses, quando o aborto já não era mais uma opção.

Contudo, a ideia de interromper a gestação nunca passou pela cabeça de Angelina.

Misha era o fruto do seu amor por Oleg, o único homem que ela verdadeiramente amara.

Sua história de amor, no entanto, terminou em tragédia. Quando Angelina estava no sétimo mês de gestação, Oleg morreu em um acidente.

Ele trabalhava como motorista de uma padaria, fazendo entregas de pães frescos.

Embora sempre fosse muito cauteloso ao volante, sua vida foi tirada por um «filho de uma boa família», que colidiu com o carro de Oleg.

Os airbags salvaram o outro motorista, mas Oleg não sobreviveu. E como sempre acontece, a família rica do culpado garantiu que o caso fosse abafado e jamais tivesse repercussão.

A vida de Angelina não fora fácil desde o começo. Ela havia crescido em um orfanato, abandonada por seus próprios pais, que a deixaram em uma caixa, à porta de uma casa, quando ainda era um bebê.

Oleg também havia crescido lá, e foi naquele lugar que seus destinos se cruzaram. Eles se tornaram grandes amigos e, com o tempo, o amor floresceu.

Oleg, dois anos mais velho, foi o primeiro a sair do orfanato, decidido a construir uma vida para os dois. Planejava pedir-lhe em casamento assim que ela completasse 18 anos.

Mas esses planos se perderam, restando apenas fotos, lembranças e o pequeno Misha.

Após o nascimento de Misha, os serviços sociais sugeriram que ele fosse enviado a um lar especializado.

Mas Angelina recusou com firmeza. Ela sabia o que era crescer sem o carinho e o cuidado dos pais, e jamais desejaria isso para o seu filho.

O único lar que o Estado lhe ofereceu ao atingir a maioridade foi um apartamento simples, mas para ela, mesmo com a falta de conforto, aquele pequeno espaço era um refúgio, um lar.

Ela trabalhou por anos em um armazém de atacado, onde se dedicava com afinco.

Durante seus turnos, sempre deixava Misha aos cuidados de sua vizinha, Nadeszda Petrovna, uma senhora idosa que tinha sido professora.

Ela não tinha medo de crianças especiais e sempre tratava Misha com muito carinho e paciência.

Lia para ele, mostrava-lhe bons filmes e, mais importante, ajudava o menino a expressar seus sentimentos, oferecendo um ombro amigo quando ele mais precisava.

Misha era uma criança obediente, mas como toda criança, também tinha suas próprias vontades, especialmente quando se tratava da mãe.

No trabalho, Angelina enfrentava muitos desafios. A equipe, composta principalmente por mulheres, não era lá muito solidária.

Algumas colegas de trabalho não tinham escrúpulos e se aproveitavam da situação para enganar os clientes, cobrando mais do que o devido ou pesando produtos de maneira errada.

Mas Angelina se mantinha firme em seus princípios. Jamais aceitava esse tipo de comportamento.

“Lucros desonestos não trazem felicidade”, costumava dizer, sem entender como alguém poderia sorrir para os outros e, ao mesmo tempo, ser desonesto.

«Você é idealista demais», diziam as outras. «As pessoas nem percebem, o chefe não está nem aí, mas você se preocupa. Você precisa começar a pensar mais em você mesma.»

O maior desafio no trabalho era lidar com seu chefe, Gennadi Dmitrievich. Conhecido por suas aventuras extraconjugais, ele frequentemente fazia comentários indesejáveis sobre a aparência de Angelina.

Com seu cabelo longo e brilhante, ela se tornava o alvo de suas investidas. Mas ele era casado, e seus flertes pareciam mais um jogo para ele do que uma real intenção.

“Seja minha, Angelina”, sussurrou ele uma vez, quando a pegou sozinha no estoque. «Vou te promover, aumentar seu salário, dar bônus. Basta aceitar.”

“Me solte”, respondeu ela, fria como uma pedra. “Se continuar assim, vou denunciar ou gravar suas palavras.”

«Você só vai se machucar», respondeu ele com um sorriso dissimulado. «Eu não vou desistir. Você entrou na minha alma, tenha pena de mim…»

Um dia, logo no início do mês, Angelina decidiu levar Misha para tomar a vacina.

Quando marcou a consulta, pensou que o transporte público não seria a melhor opção, pois temia que as pessoas olhassem para seu filho de forma estranha.

Decidiu então chamar um táxi para chegar tranquilamente ao hospital.

“Fique mais um pouco, meu amor”, disse com um sorriso nervoso, acariciando a cabeça de Misha. “O carro está chegando e tudo vai ficar bem.”

Mas o tempo passou e o táxi nunca chegou. O motorista estava atrasado há 10 minutos e nem sequer respondia às mensagens.

Angelina começou a se sentir cada vez mais frustrada. Eles poderiam chegar atrasados e perder a consulta. Mas sua frustração foi só o começo de uma série de surpresas desagradáveis.

Quando o táxi finalmente chegou, ela ajudou Misha a entrar.

“Moça, desça agora!”, gritou o motorista ao ver o suco que Misha estava segurando. “Não vou levar vocês assim. Ou ele fica aqui ou você sai.”

“Mas ele está fechado!”, protestou Angelina.

“E se ele derramar? Você consegue imaginar o trabalho que dá limpar? E o pior, os insetos vão aparecer. Ou vai pagar pela limpeza? E o seu filho… ele não é normal.”

«Você é que não é normal», respondeu Angelina, tomada pela raiva. Pegou Misha no colo e o tirou do carro. «Como pode falar assim do meu filho? Ele é humano!»

«Basta!» bradou o motorista, batendo a porta do carro. «Vá embora!»

O incidente ocorreu em plena rua movimentada. As pessoas ao redor começaram a olhar, algumas pararam, mas nenhuma delas se aproximou para ajudar.

Angelina ficou ali, perdida, com lágrimas nos olhos.

“Mamãe, não chora”, disse Misha, tocando sua testa contra a dela.

«Vai ficar tudo bem, meu amor», respondeu ela, tentando se controlar. «Estamos só um pouco atrasados…»

Foi quando um velho carro «Žiguli» parou ao lado deles. Um homem mais velho, com um sorriso gentil, estava ao volante.

“Moça, entre, eu os levo”, disse ele com calma.

“Ah, obrigada!”, disse Angelina, aliviada, colocando Misha no banco de trás.

“Aonde vamos?”

“Na sétima clínica, por favor.”

Angelina estava pronta para pagar a corrida, mas o homem se recusou.

“Não se preocupe, é um prazer para mim. Eu também vou levar vocês de volta. Fiquem tranquilos, vocês chegarão a tempo.”

Durante a viagem, começaram a conversar. O homem era educado e agradável, e Angelina logo percebeu que não conversava com alguém assim há muito tempo.

Só sua vizinha Nadeszda Petrovna era capaz de despertar nela sentimentos semelhantes.

Ignat Mijaílovich, como ele se apresentou, não apenas conversou com ela, mas também fez Misha rir, contando piadas e histórias, fazendo o menino esquecer o estresse e a ansiedade.

Quando chegaram ao destino, Ignat lhe deu um cartão de visitas.

“Se precisar de alguma coisa, é só ligar. Tenho certeza de que seu filho vai adorar vir aqui.”

O cartão tinha apenas um número e um endereço.

Embora tocada pela oferta, Angelina hesitou. Por que um estranho os convidaria assim, tão de repente? Mas, uma semana depois, decidiu ligar.

O encontro foi marcado para um sábado. Quando chegou no endereço, ficou maravilhada.

Na frente dela, uma imensa casa de três andares, com um terreno gigantesco e diversos prédios e cercados.

“Olá, minhas queridas!”, saudou-os Ignat com um sorriso caloroso, segurando suas mãos.

“Que lugar maravilhoso!”, exclamou Angelina, encantada.

“Obrigado. Trabalhei bastante para chegar até aqui, mas valeu a pena”, respondeu Ignat, guiando-os pelos jardins. “Vem, vou te mostrar.”

O lugar era um paraíso para crianças. Misha, encantado, correu de um lado para o outro.

“Este é o reino das crianças”, disse Ignat, apontando para um grande campo onde Misha podia brincar à vontade com outras crianças.

Havia um pequeno lago, uma casa na árvore, barracas e até um mini zoológico.

“Que tal virem nos visitar mais vezes?”, perguntou Ignat. “Eu ficaria muito feliz se vocês viessem.”

O tempo passou rápido, e ao se despedir, Ignat lhe entregou um novo número.

“Se precisar de ajuda, é só me ligar.”

Dois dias depois, Ignat sugeriu que Misha viesse passar os finais de semana com ele. Com o tempo, Angelina aceitou. Ela viu como o menino fez novas amizades e foi capaz de relaxar e esquecer o que passara.

“Às vezes, meu amor”, disse ela certa noite, “coisas boas acontecem. As fases difíceis acabam, e há pessoas dispostas a nos ajudar.”

Misha sorriu de orelha a orelha, feliz como nunca.

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