Katya estava sentada na cozinha, deslizando os dedos pela tela do celular. Ela havia planejado uma viagem com seu marido e sua amiga, mas quando entrou no quarto do hotel naquela manhã, sentiu o chão sumir sob seus pés.
«De novo, a Lena em Bali?», suspirou, vendo as fotos da amiga na praia. «Quando foi a última vez que eu viajei?»
Nesse momento, a porta da frente se abriu com um estrondo.
«Oi, cheguei!», disse Sergei com entusiasmo.
«Oi», respondeu Katya, com um sorriso sem vida. «O jantar está no micro-ondas.»
Sergei entrou na cozinha, beijou-lhe a bochecha e se deixou cair na cadeira.
«Como foi o dia?», perguntou ele, enquanto esquentava o prato.
«Como sempre», ela respondeu, dando de ombros. «Sabe de uma coisa? Que tal a gente viajar de novo? Olha, a Lena está em Bali de novo.»
«Katya, você sabe que está no meio da alta temporada no trabalho», suspirou Sergei. «Quem sabe no próximo ano…»
Katya abafou um suspiro, tentando ignorar o vazio que sentia. «Próximo ano» já era uma piada entre eles, uma desculpa recorrente que Sergei usava sempre que o tema das férias surgia.
«Esquece. Vou dormir», disse ela, se levantando da mesa. «Amanhã tenho que acordar cedo.»
Deitada na cama, Katya refletia sobre a virada que sua vida dera nos últimos cinco anos. Onde estavam os jovens que, sem hesitar, pegavam a mochila e partiam para qualquer canto do mundo?
Quando ela e Sergei se tornaram um casal comum de Moscou, levando uma vida de rotina?
No dia seguinte, Katya tomou uma decisão. Durante o intervalo, pegou o telefone e ligou para Lena.
«Oi, Lena! Tenho um pedido.»
«Oi, Katya! O que aconteceu?»
«Você vai para Bali na próxima semana, não é?»
«Sim, e?»
«Posso ir com você?»
Do outro lado da linha, o silêncio foi longo.
«Katya, você está falando sério? Não temos muito tempo, está tudo tão em cima da hora…»
«Eu preciso sair dessa rotina!», disse Katya, sua voz cheia de desespero.
Lena suspirou.
«Ok, você venceu. Mas já fiz todas as reservas. Você e o Sergei vão precisar procurar um lugar para ficar.»
«Obrigada, Lena! Você é incrível!»
À noite, Katya preparou um jantar simples e abriu uma garrafa de vinho, criando o cenário perfeito para a surpresa.
«Estamos comemorando algo?» perguntou Sergei, visivelmente surpreso.
«Pode-se dizer que sim», sorriu Katya, com um brilho de mistério. «Sente-se.»

Ela esperou que ele se acomodasse, então disparou: «Sergei, vamos para Bali!»
«O quê? Quando?» ele perguntou, os olhos arregalados de surpresa.
«Na próxima semana. Falei com a Lena, vamos nos juntar a ela.»
«Katya, você está maluca? Tenho trabalho, projetos…»
«Sergei, quando foi a última vez que viajamos juntos? Quando foi a última vez que tivemos férias de verdade, sem nos preocupar com o trabalho o tempo todo?»
Ele sorriu, finalmente entendendo.
«Você tem razão. Que se dane o trabalho! Vamos para Bali!»
A semana seguinte passou voando. Katya correu entre o trabalho, as compras e a agência de viagens, enquanto Sergei tentava finalizar seus projetos. Lena ajudava com a organização.
Finalmente, chegou o grande dia. O voo foi tranquilo. Katya dormiu no ombro de Sergei e conversou com Lena quando estava acordada. Bali os recebeu com um calor úmido e uma brisa leve.
Quando saíram do aeroporto, o caos alegre da ilha tomou conta: o som das motos, os vendedores gritando e os aromas exóticos no ar.
«Vamos para o nosso lugar», disse Lena, com um sorriso. «Reservei uma vila na praia.»
A vila era um verdadeiro paraíso: três quartos, uma sala ampla, piscina privativa e um jardim tropical luxuriante.
«Lena, isso é surreal!» exclamou Katya.
«Viu? Valeu a pena, não é?», sorriu Lena. «Desembale e prepare-se, hoje à noite vamos jantar na praia.»
Os dias seguintes foram um sonho. Elas se bronzeavam na praia, andavam de moto pela ilha e experimentavam os pratos locais. À noite, se reuniam à beira da piscina, saboreando coquetéis e trocando histórias.
Na quinta manhã, Katya acordou cedo. Sergei não estava ao seu lado.
«Deve ter ido nadar», pensou. Levantou-se e foi até a varanda. O sol mal começava a nascer. Na sala, não havia ninguém.
Quando passou em frente ao quarto de Lena, ouviu um ruído suave. Instintivamente, ela girou a maçaneta e congelou.
Lá, no meio da penumbra, estavam Sergei e Lena, abraçados, completamente imersos um no outro, sem perceber a presença de Katya.
O chão parecia sumir sob seus pés. Uma avalanche de perguntas invadiu sua mente: «Quanto tempo isso dura? Por que aconteceu? Como eu não vi?»
Com o coração apertado, ela fechou a porta silenciosamente e saiu para o jardim. Seus pés estavam trêmulos, e seu coração batia forte.
Sem rumo, ela caminhou pela praia, sentindo as lágrimas escorrendo pelo rosto. Não sabia quanto tempo se passou até ouvir seu nome.
«Katya! Espera!»
Ela se virou. Sergei corria em sua direção, com Lena logo atrás.
«Katya, não é o que você pensa!», começou Sergei, tentando alcançá-la.
«E o que eu deveria pensar?», ela perguntou, com uma risada amarga.
«Escute-nos», disse Lena, a voz trêmula. «Não queríamos que você soubesse assim.»
«E como vocês iam me contar?», Katya disparou. «Quando eu estivesse grávida?»
«Katya, por favor…» disse Sergei, estendendo a mão.
«Não me toque!», ela gritou, dando um passo para trás. «Nunca mais quero ver vocês!»
Virou-se e começou a correr, sem destino. Fugindo. Só parou quando a água do mar alcançou seus pés. Ficou ali, com as ondas batendo nas pernas, chorando sem som.
A vida dela parecia ter se despedaçado. Cinco anos de casamento, uma amizade… tudo fora uma mentira. Nunca se sentiu tão traída.
Ela ficou ali, perdida, olhando o horizonte por um tempo que parecia eterno, até que, finalmente, com um olhar vazio, decidiu voltar para a vila.
Sergei e Lena a aguardavam na sala.
«Katya…» começou Sergei, hesitante.
«O que vocês querem de mim?», ela perguntou, com a voz fria.
«Foi a primeira vez, eu juro», implorou Lena, os olhos marejados. «Não era para ser assim, não planejamos…»
«Não era para ser?», interrompeu Katya, os olhos cheios de raiva. «Vocês acham que estando em Bali, poderiam apenas se divertir? Se esquecer de tudo e me deixar de fora?»
«Não é isso, Katya», tentou explicar Sergei, sem saber o que dizer. «Foi um erro. Tomamos uns coquetéis ontem, ficou confuso…»
«Confuso?!» Katya riu, amargamente. «Vocês acham que eu vou acreditar nisso?»







