„O marido expulsou sua esposa para o campo – Mas o que aconteceu depois mudou tudo!“

HISTÓRIAS DE FAMÍLIA

Margarita já sentia há algum tempo que aquele dia chegaria, mas, quando finalmente aconteceu, ela ainda não sabia o que fazer. Ficou ali, paralisada, sem saber qual seria o próximo passo.

Roman, seu marido, deu de ombros com indiferença:

“Você não tem mais quinze anos para ficar fazendo esse tipo de pergunta. Já está na hora de começar a pensar por si mesma.”

“Então, eu preciso sair de casa?” perguntou ela, com a voz quase inaudível.

“É isso mesmo,” respondeu ele, com frieza. “Mas não se preocupe, comprei a metade da casa para você. Foi barato, mas ao menos é sua.”

Rita deu uma risadinha amarga:

“Só metade? O que, o resto do dinheiro não deu para o resto da casa?”

Roman ficou vermelho de raiva:

“Chega, Rita, não começa com isso. Já não somos mais um casal. Isso já deu!”

Sem mais palavras, ela virou-se e saiu da sala. Claro, ele estava cansado.

Enquanto Roman tomava conta das finanças da casa e decidia tudo em casa, vivia como um rei.

Gastava sem remorso com suas noites de diversão, com os amigos na sauna, e, talvez, com outra mulher.

Mas assim que Rita parou de entregar seu salário, a raiva dele foi instantânea:

“Você acha que com essas migalhas vai mudar alguma coisa?”

“Roman, estou indo para o quarto ano com as mesmas botas,” respondeu ela calmamente.

“E você, no mesmo tempo, já trocou o guarda-roupa inteiro. Isso parece justo? E o que você chama de ‘migalhas’? Eu também ganho o suficiente com meus bicos, sabia?”

A conversa não levou a nada. Rita já sabia que Roman tinha uma amante, e ele estava gastando o dinheiro da casa com ela.

Mas quando a situação financeira de Roman piorou e ele teve problemas com a amante, os conflitos em casa aumentaram.

Rita já vinha considerando a separação há um bom tempo, mas havia uma razão pela qual nunca havia tomado essa decisão – ela não tinha para onde ir.

Após a última discussão, quando Roman chegou em casa e não encontrou o jantar, fez uma cena.

Rita explicou com calma que já havia comido em um café, pois ele não lhe dava dinheiro há três meses. Isso o enfureceu.

Ele gritou, dizendo que ela não importava para ninguém, que não podia ter filhos e que ele só ficava com ela por pena.

Rita lutava contra as lágrimas, mas entendeu que seu casamento estava acabado. Começou a se preparar para o inevitável.

Ela fez a pergunta sobre o que fazer a seguir mais por hábito. Não queria brigar pela metade da casa. Mas Roman, antecipando isso, deu um sorriso:

“Você é tão esperta e correta. Então, compre a outra metade da casa, se isso é tão importante para você.”

Ele sabia que isso era impossível. A metade da casa foi vendida a ele por um preço ridículo, porque ninguém queria comprar a outra metade. E logo Rita entendeu por quê.

A história da casa era simples. Antes, ali morava um casal. Mas o marido se envolveu em um acidente e ficou gravemente ferido.

A esposa, incapaz de lidar com a nova realidade, pediu o divórcio e vendeu sua metade da casa. A outra metade ficou com o ex-marido, que estava preso à cama.

A casa nunca foi oficialmente dividida; o que foi vendido foi apenas o espaço.

Rita fez suas malas, chamou um táxi e decidiu ir direto para o novo endereço. Para que alugar um apartamento se ela não conseguiria pagar?

A casa, do jeito que estava, parecia bem cuidada. Quando ela chegou, se surpreendeu: “Roman gastou tudo isso? Talvez eu devesse comprar a outra metade…”

Viver sozinha ali, tomar chá debaixo da acácia…

Ela abriu a porta. A fechadura funcionava perfeitamente, sem rangidos, como se fosse muito usada.

A casa estava bem conservada, mas algo parecia estranho. Por que havia apenas uma porta? Rita entrou. O cheiro de remédio estava no ar.

Ela olhou ao redor: uma sala grande, uma cozinha aberta com área de jantar, outro quarto com a porta entreaberta. Ela espiou: um quarto claro, espaçoso, quase vazio.

Desse quarto saíam duas portas. Uma estava aberta – provavelmente o antigo quarto de casal. A outra estava fechada.

Rita, decidida, abriu a porta e quase desmaiou ao ver o homem que estava ali.

Na parede, a televisão estava ligada com o volume baixo. Ao lado da cama, havia uma mesinha com uma garrafa de água e alguns remédios.

“Oi,” disse Rita, constrangida.

O homem sorriu:

“Oi. Você comprou a metade da minha casa, não foi?”

Rita assentiu, confusa, olhando ao redor:

“Eu não entendo… Isso é tudo o que a metade da casa tem? Não tem divisórias, nem entrada separada?”

“Não,” respondeu ele calmamente. “A casa nunca foi dividida. Agora a metade da casa é sua, junto comigo.”

Rita suspirou:

“Agora tudo faz sentido. Eu achava que meu marido tinha se tornado generoso, mas na verdade ele apenas ficou consigo mesmo.”

“Desculpe, vou ficar em outro quarto até encontrar um lugar,” disse Rita.

O homem deu de ombros:

“Fique à vontade, use a casa inteira. Para mim, tanto faz – eu fico neste quarto. Ah, meu nome é Oleg.”

Rita ia fechar a porta, mas parou:

“Você cozinha? Cuida da casa?”

“Claro que não,” respondeu ele. “A cada dois dias vem uma cuidadora.”

Rita fechou a porta e foi pegar suas coisas. “Algo está errado aqui. A cuidadora vem a cada dois dias… E nos outros dias? Ele é tão jovem, provavelmente tem a minha idade.”

Depois de trazer suas coisas, ela decidiu cozinhar algo.

Pegou uma sacola com alimentos e olhou ao redor. “O dono não vai se importar se eu usar um espaço na geladeira,” pensou.

Mas a geladeira não estava apenas vazia – estava desconectada. Rita abriu as gavetas: restos de grãos, sal, mas nenhum açúcar. “Estranho, o que será que ele come?” pensou.

Ela arregaçou as mangas e começou a preparar algo. Depois de um tempo, percebeu que estava cantando baixinho.

Sorriu: “Estranho, recém divorciada, sem casa, tudo incerto, mas estou cantando. E, de algum modo, me sinto bem.”

Uma hora depois, ela bateu na porta e entrou:

“Oleg, preparei o jantar. Que tal comer comigo?”

Ele a olhou com uma expressão fechada:

“Primeiro, vamos deixar claro: não preciso da sua pena. Não estou morrendo de fome, então…”

Rita colocou a bandeja sobre a mesa, decidida:

“Vamos ver por outro lado. Não quero que me tenha pena. Estou em um lugar estranho, meu marido me deixou, estou sozinha.

Só queria jantar com alguém. Com uma pessoa viva.”

Oleg pareceu desconcertado:

“Desculpe, sou acostumado a tratar as pessoas assim. Todos querem dar conselhos, acham que sabem de tudo.”

Rita se sentou:

“Eu entendo. São tantas pessoas que acham que sabem como viver – melhor que a gente.”

Oleg pegou a colher e revirou os olhos:

“Rita, depois desse jantar, não vou conseguir mais comer o que a cuidadora faz.”

Eles beberam chá por mais tempo, e Rita observava a sala discretamente. “Estranho, a cadeira de rodas está lá, mas ele não usa,” pensou.

“Você sabe, um dia vou perguntar o que aconteceu. Se não quiser contar, me avise, não vou insistir.”

“Não, um dia você vai descobrir. É melhor eu contar logo.

Há dois anos, sofri um acidente. Na hora parecia não ser nada grave, mas algo deu errado na cirurgia da coluna. Fui salvo por pouco.”

No começo disseram que tudo ficaria bem. Depois vieram as consultas, exames, mas eu sentia que minhas pernas não funcionavam direito.

Me mandaram para casa, disseram que com o tempo ia melhorar. Mas, como você vê, nada mudou.

Há um ano, um professor veio até mim. Minha esposa, na época ainda minha esposa, o indicou. Ele disse que a cirurgia foi boa, mas o tempo estava perdido.

A reabilitação tinha que ter começado logo após o acidente. Mas não foi feito.

Quando Elena ouviu o diagnóstico, fez as malas e foi embora. Então soube que ela pegou tudo o que tínhamos. Não havia contribuído com nada.

Pegou o carro, mesmo já danificado.

Dividiu a casa. E, como descobri, vendeu a metade dela rapidamente para outra pessoa, tão cruel quanto ela. Essa é a história.

Rita ergueu uma sobrancelha:

“Eu não entendo. Você vai ficar aí, esperando o fim?”

“O que você sugere?”

“Lute! Faça algo! Viva de verdade!”

“Viver? Você acha que é o único? Não, não é o único, nem dois, nem três. São milhares e nenhum deles tira a própria vida.

Bem, isso é com você, mas não entendo.”

Rita se levantou e começou a arrumar a mesa.

“Então, vou ficar no outro quarto.”

Oleg acenou:

“A casa é toda sua. Eu fico neste quarto. Obrigado pelo jantar.”

Rita fechou a porta atrás de si e ficou por um momento, querendo perguntar se ele precisava de algo, mas decidiu que Oleg deveria estar muito ferido para aceitar ajuda.

“Ele deve ter se virado de alguma forma antes.”

Adormeceu imediatamente, e pela manhã, foi acordada por uma voz irritada:

“Porra, quando vão levar esses deficientes e deixar eles em uma ilha, onde vão rastejar uns atrás dos outros? Já estou cansado!”

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