Eu participei da minha reunião de escola planejando voltar à minha paixão de infância, apenas para descobrir a verdade sobre o que aconteceu anos atrás

HISTÓRIAS DE FAMÍLIA

Joana folheava seu antigo álbum escolar, as fotos amareladas trazendo de volta lembranças desbotadas de uma época em que tudo parecia tão simples. Vinte anos haviam se passado desde a formatura, mas, ao mesmo tempo, aquela época parecia ter sido ontem. Um rosto em particular fazia seu coração bater um pouco mais rápido – o do garoto que, naquela época, partira seu coração. Naquela noite, às vésperas do reencontro da turma, ela ainda não sabia que ele nunca havia sido realmente o culpado.

Enquanto passava as páginas do álbum, mergulhada em seus pensamentos, sentia aquela nostalgia familiar que a fazia viajar para o passado. Joana Cooper, a garota ingênua com um sorriso sonhador e uma frase brega sob sua foto: «O amor é trabalho em equipe.» Como essa frase parecia significativa na época e como ela falhara miseravelmente em entender o verdadeiro significado.

Mas, quando olhou para a foto dele, o riso se calou em sua garganta – Chad Barns. Sua paixão do ensino médio, o motivo de tantas pequenas notas que ela escondia em seu armário, os olhares apaixonados que lançava em sua direção. Joana tinha tanta certeza de que ele era «o escolhido» e, na sua mente, já imaginava cada detalhe da vida que teriam juntos. Mas ali estava ela, solteira aos quase 40 anos, ainda se perguntando por que tudo terminara de maneira tão abrupta.

Quase ao mesmo tempo, a campainha tocou. Sua melhor amiga, Lora, estava ali, sorrindo radiante. «Pronta para o grande reencontro?» Os olhos de Lora brilhavam de expectativa, mas Joana sentia um peso de inquietação em seu peito.

«Não sei se realmente quero ir,» murmurou, apoiando-se no batente da porta. Lora levantou as sobrancelhas. «Sério? É por causa do Chad? Depois de vinte anos, ainda?» A vergonha invadiu Joana, mas ela assentiu finalmente. «Sim, eu sei que parece bobo, mas ainda mexe comigo. Eu achava que tínhamos algo especial, e então ele me deixou de lado.»

Lora colocou uma mão no ombro dela e sorriu. «Talvez ele nem esteja lá hoje à noite. E se estiver, deixe-o ver o que ele perdeu.» Joana respirou fundo e forçou um sorriso, mas o nó em seu estômago parecia apertar cada vez mais.

No caminho para o reencontro, ela era um emaranhado de nervos. O prédio da escola surgiu à sua frente, e uma onda de nostalgia a envolveu.

As risadas, as lembranças – era como se tivesse entrado numa máquina do tempo. Amigos daquela época a abraçaram, rostos que mal haviam mudado, mas agora carregavam um toque de maturidade.

Então, ela o viu. Chad estava do outro lado da sala, seu sorriso era caloroso e familiar, quase um aceno de volta ao passado. O coração de Joana quase parou por um instante quando seus olhares se encontraram, e uma enxurrada de sentimentos antigos tomou conta dela.

Lora segurou seu braço suavemente e sussurrou, determinada: «Joana, esqueça ele. Não o deixe ter o controle.» Ela queria segui-la, conter-se – mas aquele desejo ardente por respostas a impelia.

Mais tarde naquela noite, depois que Lora foi ao banheiro por causa de uma mancha de vinho no vestido, Joana se sentiu sozinha. Para respirar um pouco, saiu para o pátio da escola e se sentou no banco que sempre fora seu lugar favorito. Mal tinha se acomodado quando ouviu passos atrás de si. Chad se aproximava, e o sorriso em seu rosto era caloroso, quase cauteloso.

«Joana,» ele começou suavemente, «faz uma eternidade.» Ela engoliu em seco, tentando manter a calma. «Realmente faz.»

Então, ele mencionou uma palavra que balançou seu mundo. «Carta?» ela repetiu, confusa. Chad parecia sério, os olhos tristes. «Eu deixei uma carta para você naquela época, pedindo para sair comigo. Quando você não apareceu, achei que não estivesse interessada.»

De repente, tudo veio à tona, como uma peça de quebra-cabeça que se encaixava em sua mente, e ela se virou lentamente quando Lora reapareceu. Um brilho de culpa surgiu nos olhos da amiga. Era verdade – ela havia separado os dois de propósito. A raiva e a decepção cresceram dentro de Joana, quase a dominando.

«Por ciúmes?» ela sussurrou, e Lora só conseguiu assentir antes de se afastar rapidamente. Quando ela desapareceu, Joana sentiu uma leveza inexplicável – e Chad a puxou delicadamente para seus braços.

Ali estavam eles, no pátio da escola, com os anos perdidos entre eles. O passado não podia ser mudado, mas o futuro ainda estava aberto diante deles.

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