«Os teus pais deram-nos o apartamento, mas para o casamento não contribuíram. Que não venham!» — declarou o noivo…

HISTÓRIAS DE FAMÍLIA

«Seus pais nos deram um apartamento, mas não contribuíram para o casamento. Que eles não venham!» — anunciou o noivo.

Rita estava em frente ao espelho, observando atentamente seu reflexo. Em alguns dias, ela daria um passo importante — tornar-se esposa. O casamento, a transição de noiva para cônjuge, despertava nela emoção e ansiedade.

Ela queria que tudo corresse perfeitamente, sem falhas ou surpresas. Pensamentos sobre a vida futura giravam em sua mente, então decidiu visitar o apartamento que os pais haviam dado a ela e a Egor.

Lá, reformas estavam em andamento, e o casal sonhava em se mudar logo após o casamento, mas os construtores estavam atrasados.Ao se certificar de que o trabalho finalmente avançava no ritmo certo e seria concluído em alguns dias, Rita sorriu aliviada.

Agradeceu ao chefe da obra por impulsionar a equipe e foi para o apartamento que ela e Egor estavam alugando temporariamente.Ao chegar, imediatamente começou a preparar o jantar.

Queria agradar o futuro marido, mostrar que não era apenas uma boa noiva, mas também uma anfitriã cuidadosa. Egor apreciava comida refinada, então Rita comprava livros de culinária, estudava, experimentava — agora sentia-se confiante na cozinha.

Depois de preparar peixe com molho branco e uma salada de legumes frescos, Rita cuidou de si mesma: passou uma maquiagem leve e arrumou o cabelo. Quase terminando, ouviu a porta da entrada bater.

— Que aromas! Já estou salivando. Você é simplesmente uma mágica, Ritinha! — exclamou Egor, entrando e entregando um buquê de crisântemos.
— Flores de novo? Temos alguma comemoração?

— Não é uma comemoração quando volto para casa e sou recebido por uma mulher tão bonita? Motivo mais do que suficiente.
— Troque de roupa, lave as mãos e sente-se à mesa. Eu vou colocar as flores na água.

Rita estava nas nuvens. Temia escolher um homem semelhante ao marido de sua prima — egoísta, arrogante, indiferente. Mas Egor era diferente: atencioso, cuidadoso, generoso em elogios e presentes.

Embora passasse pela sua mente: e se ele se comporta assim apenas para compensar alguma culpa ou conseguir algo em troca? Afinal, o avô também dava flores à avó quando queria pedir algo ou se desculpar.

Durante o jantar, Egor se comportava de maneira estranha — fechado, pensativo. Quase não comia, respondia monosilábico. Isso deixou Rita alerta.

— Está tudo bem? Hoje você está diferente — perguntou cautelosamente.Egor ajeitou uma mecha de cabelo escuro caída na testa e sorriu com esforço.

— Sim, tudo bem. Mas… você me conhece bem demais. Não quero te enganar. Tem algo que preciso dizer. Bem, direi diretamente: fui promovido no trabalho! Convidei meu chefe para o casamento, e ele decidiu nos dar um presente — dará uma promoção. Consegue imaginar?

— Incrível! Que chefe generoso. Mas por que você parece que recebeu más notícias?— É que haverá muitos convidados no casamento — amigos, familiares, pessoas da “alta sociedade”. Meus pais, que estão pagando o banquete, querem que tudo corra perfeitamente. Eles… me pediram algo.

Rita franziu a testa. O que poderia ser tão importante?
— Eles acham que seus pais… seria melhor não virem ao casamento.

Não agora. Depois celebraremos com eles separadamente — em alguns dias, em um círculo restrito. Para não atrapalhar a atmosfera, não estragar a impressão.

Essas palavras atingiram como um tapa. Rita ficou fria. Olhou para Egor, tentando entender — será que ele realmente falou sério?
— É brincadeira? Está me testando? — sussurrou, engolindo em seco.

— Eu sei que é difícil ouvir, mas pense com clareza. Sua mãe se veste… digamos, não exatamente adequada para tal evento. E seu pai — um ferreiro, e suas piadas às vezes soam ásperas demais.

E o casamento — não é apenas uma festa. É um investimento em nosso futuro. É importante causar a impressão correta, estabelecer contatos, ser aceitos nos círculos certos.

Es pais querem que tudo corra perfeitamente. Não estamos os excluindo — apenas adiamos a celebração conjunta. Não é para sempre.Rita apertou o garfo com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos.

Crescia dentro dela raiva, misturada com ressentimento e decepção. Queria gritar, despejar nele tudo que sentia, mas se conteve a tempo. Precisava organizar os pensamentos.

— Você está tão pálido… Quer água? — Egor perguntou preocupado.
— Obrigada, não. Melhor você beber. Eu preciso ficar sozinha. Amanhã será um dia pesado, preciso dormir bem. Por favor, durma hoje na sala.

Ela se levantou e foi para o quarto. Tirou brincos e colar, soltou o cabelo, tirou o vestido — como se estivesse se livrando de uma máscara.
Egor bateu na porta.

— Rita, você está chateada? Estou fazendo isso por nós! Pelo nosso futuro! Não tenho nada contra seus pais, apenas… não quero que estraguem este dia.

«Estragar o dia?» — ela pensou. Seus pais — trabalhadores, bons, amorosos. O pai trabalhou anos para sustentar a família. A mãe costurava seus vestidos e a ensinava a ser honesta. E agora querem excluí-los do dia mais importante da vida da filha? Apenas porque “não se encaixam”?

Rita olhou para seu reflexo — e não se reconhecia. Os olhos ardiam, o corpo tremia de raiva, os dentes cerravam-se de tensão. Lembrou-se de como pediu a Egor que seu pai a levasse até o altar.

Ele então descartou: «É coisa do passado, seria vergonhoso». E agora — recusa total à sua família.Lágrimas surgiam, mas ela se conteve. Se ele age assim antes do casamento, o que será depois? Ele teria vergonha de seus filhos, se herdassem algo da família dela? Proibiria o contato com os avós?

Rita fechou os olhos. Tudo pelo que lutou estava desmoronando. O noivo perfeito não era tão perfeito assim. O casamento que ela sonhou transformou-se em uma peça teatral, onde o principal não era o sentimento, mas a aparência.

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