«Homen sem-teto é nomeado e o diretor é surpreendido.»

HISTÓRIAS DE FAMÍLIA

Nas últimas duas semanas, a família Samojlov estava ansiosa pela tão aguardada viagem de férias. Desta vez, eles iriam para a Turquia, um destino que Angelina sonhava há muito tempo.

O negócio de Stepan estava indo muito bem, e o trabalho de Angelina também estava gerando bons lucros.

Eles tinham dinheiro suficiente para manter a casa e criar seus dois filhos, então Stepan decidiu poupar um pouco dos lucros para surpreender a família.

Angelina estava totalmente encantada. Quando Stepan lhe contou que iriam viajar, preparou um jantar especial e até fez o famoso bolo de «leite de ave», algo que raramente costumava fazer.

As crianças já estavam se gabando na escola, e Angelina contava a todos os amigos sobre a tão esperada viagem enquanto arrumava as roupas da família e experimentava as melhores roupas para levar.

Após uma semana de trabalho cansativa, Stepan queria descansar, mas seus amigos o convidaram para beber algo, já que não se viam há muito tempo.

Todos estavam cheios de novidades, e esses caras sempre estiveram próximos de Stepan. A amizade deles começou na faculdade e passaram por muitas provações juntos.

Eles sempre gostaram de relembrar os velhos tempos, rir e, às vezes, ficar um pouco melancólicos.

– Você está ótimo! – disse Pavel, quando soube que Stepan iria para a Turquia.

– No ano passado, eu e a Olya estivemos na Itália. Ainda falamos sobre essa viagem. Foi como uma segunda lua de mel. Incríveis experiências!

– Sim, é importante mimar nossas esposas – acrescentou Artur. – Lembra quando você estava apaixonado pela Olga, a menina que estava um ano abaixo de nós?

Ele adorava colocar os outros em situações desconfortáveis, especialmente Pasha.

– Ah, pare com isso! Aqueles cabelos trançados eram fofos, você sabe, foi por causa delas que me interessei – respondeu Pavel.

– Chega! – exclamou Stepan, batendo palmas. – Chega de histórias sobre ex-namoradas. Todos nós somos casados, temos filhos e responsabilidades. Vamos jogar algo.

– Que tal um jogo de cartas com desejos? Vamos voltar ao estilo clássico! Estão prontos? – sugeriu alguém.

Os amigos concordaram. Um deles pediu um baralho de cartas para o garçom. Todos escreveram um desejo, amassaram e colocaram em um pequeno vaso que estava disponível no local.

Quem perdesse, teria que tirar um papel e cumprir o desejo.

Nas três primeiras rodadas, Stepan teve sorte e observou seus amigos ficando em situações desconfortáveis, ficando vermelhos ou se sentindo embaraçados enquanto cumpriam as tarefas.

As pessoas ao redor estavam se divertindo como se estivessem assistindo a um jogo de futebol. Finalmente, chegou a vez de Stepan. Ele abriu o papel, leu e sorriu.

– Isso é uma loucura total! – disse, rindo.

– O que está escrito aí? Não fique aí se segurando! Leia em voz alta!

– Eu tenho que passar o controle do meu negócio para o primeiro mendigo que eu encontrar enquanto estou de férias. E se ele recusar, eu tenho que dividir o lucro da semana com vocês.

Isso é uma loucura! Como eu posso confiar em alguém que eu não conheço? Não, eu não vou fazer isso.

– Não seja assim! – disse Artur, desapontado. – O acordo é mais importante do que qualquer coisa. Você não pode recusar. Vamos ficar de olho em como essa pessoa se comporta.

Se algo der errado, ajudamos. E se ninguém aceitar, você paga para a gente. Simples assim.

– Tudo bem, eu aceito – disse Stepan, depois de pensar por um momento.

– Agora sim você se meteu em uma encrenca! – gritaram os amigos. – Vamos, temos que encontrar a pessoa certa!

Eles pagaram a conta e saíram para a rua, sem saber como começar. Ficaram andando por um tempo, se zoando, mas não encontraram ninguém adequado.

Então começaram a atravessar os pátios e olhar ao redor dos contêineres de lixo. Não encontraram o mendigo de imediato.

Os amigos empurravam Stepan, que estava prestes a dizer as palavras mais estranhas de sua vida.

– Bom dia! Desculpe pela bagunça – disse ele ao mendigo, que estava vasculhando os sacos.

O mendigo olhou surpreso para cima quando ouviu o cumprimento educado. Ele usava um casaco fino, calças esportivas e chinelos, de onde um de seus pés estava visível.

Os amigos não conseguiram segurar o riso, e ele pensou que esses homens eram apenas bêbados bobos.

– O que vocês querem? – perguntou, de forma rabugenta.

– Desculpe, não queria te assustar. Tenho uma proposta. Eu tenho um negócio e em breve vou para a Turquia de férias.

– Parabéns. Mas o que isso tem a ver comigo?

– Preciso de um substituto para supervisionar os funcionários enquanto eu estiver fora. Alguém que garanta que tudo continue funcionando normalmente. Entendeu?

O homem olhou desconfiado, achando que estavam brincando com ele. Normalmente, as pessoas só gritavam ou jogavam restos de comida para ele.

– E qual é a proposta? Você está falando sério?

– Eu fiz uma aposta com meus amigos. Eu sei que parece estranho, mas você aceitaria? Você seria o chefe enquanto eu não estiver aqui.

– E o que eu ganho com isso? Tenho meus próprios problemas, não me importo com suas brincadeiras.

– Eu vou te pagar por todo o trabalho que você fizer. Como se fosse meu salário. Tudo de forma totalmente honesta. O que acha?

– E se algo desaparecer? Não tem medo de que seja uma fraude? Bem, para mim tanto faz, não tenho nada a perder, sempre jogo tudo fora.

– Então é ainda mais fácil você aceitar.

– Sim, eu aceito – gritou Artur lá de trás. – Stepan é um homem honesto. Ele não vai nos enganar.

– Então está feito – disse o mendigo, estendendo sua mão suja, e Stepan apertou.

Agora Stepan tinha uma grande responsabilidade pela frente: organizar tudo direitinho. Seria mais fácil deixar seus amigos no comando: eles tinham casa, roupas decentes e experiência. Mas a decisão já estava tomada.

Stepan foi até seus amigos, pediu ajuda e depois voltou para o mendigo.

– Me diga, onde você costuma dormir? Amanhã de manhã, por volta das nove, vou te buscar, vou te arrumar e te levar até o escritório para apresentar a equipe.

Os detalhes discutiremos lá. Hoje não posso te ajudar, mas vou cuidar da hospedagem. Meu nome é Stepan.

– Me chamo Matvej Arkadjevich. Vivo aqui, por assim dizer, permanentemente. Este pátio é o meu território. Mas amanhã vou ao pavilhão. Não é apropriado ter uma conversa séria perto dos lixos.

Stepan anotou mentalmente o quão educado o homem falava. Sob a luz do poste, ele pôde ver o rosto dele: ele não parecia estar bêbado, apenas tinha as marcas normais de um homem de meia-idade.

Pensou que, se ele fosse lavado, tivesse o cabelo cortado e fosse barbeado, ele seria um homem completamente normal e respeitável.

Seus amigos já haviam voltado com comida quente: borscht, purê de batatas, almôndegas e salada italiana.

– Aqui está, este é o adiantamento. Não se preocupe, eu vou cumprir minha palavra – disse Stepan.

O mendigo agradeceu várias vezes a ajuda, abraçando a comida. Depois se desculpou e disse que iria comer enquanto a comida ainda estivesse quente.

– Bom, você se meteu em um bom problema – disse Pavel enquanto se despediam.

– Bem, então é assim que se chama um amigo? – disse Stepan, balançando a cabeça.

Na manhã seguinte, depois que Angelina tomou café e saiu para o trabalho,

Stepan ligou para sua secretária, Alena, e disse que não ficaria na empresa pela primeira metade do dia, mas que, se precisassem dele, poderiam entrar em contato diretamente.

Na hora marcada, ele chegou ao pavilhão, onde Matvej Arkadjevich já o esperava.

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