— Você pode deixar seu trabalho e cuidar da minha mãe — disse meu marido.
— Além disso, você mal ganha alguma coisa!
Artem olhou para Alina com atenção.
— Minha mãe é a pessoa mais importante da minha vida. Não confio em ninguém para cuidar dela, especialmente em uma cuidadora externa. — Artem balançou a cabeça e chamou o garçom.
— Quero um bife ao ponto, e para minha esposa, salmão com legumes.
— Artem… Como assim? Como vou cuidar da sua mãe?
— Alina, distraída, passou o dedo na borda do copo.
— Ela mora no campo. Quanto tempo vou levar para chegar lá? E o jeito dela…
— Alina, a conversa acabou. Após o acidente, minha mãe precisará de cuidados constantes por pelo menos seis meses. Você vai se mudar para lá, e quem sabe até se dê bem com ela.
— Artem ajustou delicadamente o guardanapo sobre os joelhos, enquanto olhava pela janela panorâmica do restaurante.
— Você realmente quer que fiquemos tanto tempo separados? — Alina engoliu em seco, nervosa.
— Estou sobrecarregado de trabalho agora. Estamos lançando um novo projeto. Vou dormir em casa, mas praticamente não vou te ver — respondeu ele, de forma seca.
— Pelo menos você não vai ficar ocioso. — ele acrescentou após uma pequena pausa.
— Entende, meu sucesso depende diretamente do capital da minha mãe. Sem ela, não viveríamos dessa forma. Por isso, a sua mudança é uma decisão estratégica.
— E as crianças? Como vou deixá-las? Liza vai para a escola esse ano, e Maksym ainda tem dois anos até começar!
— A babá ficará com elas. O motorista vai levar as crianças à cidade e trazê-las de volta. A casa da minha mãe é grande, cabe todo mundo.
— Artem disse isso com firmeza e começou a comer com apetite.
— Se serve de consolo, hoje consegui comer algo pela primeira vez. Estou tão ocupado — fez um gesto para o garçom, pedindo mais vinho.
— E o que eu fiz para merecer ser enviada para esse «trabalho forçado»? — Alina apertou os lábios enquanto o olhava com os olhos cheios de lágrimas.
— Ah, não comece com esse drama — Artem revirou os olhos.
— Isso é necessário. Você também quer o melhor para os nossos filhos, certo?
— Claro — respondeu ela, com a voz baixa.
No dia seguinte, Alina fez as malas e, com as crianças, partiu para a casa de campo de Vera, a mãe de seu marido.
Vera não vinha de uma família aristocrática. Ela apenas casou-se com um homem de boa sorte.
Nos anos 90, Vera trabalhava como caixa em um restaurante de beira de estrada, quando um homem influente entrou e se apaixonou por ela instantaneamente.

— Você é minha. Agora mesmo vai comigo. “Não” não é uma opção — disse Pavel Viktorovich, o futuro pai de Artem.
Eles se casaram rapidamente e com luxo. Nos anos 2000, Pavel legalizou seus negócios, tornando sua esposa a dona da mansão, enquanto ele levava uma vida agitada, porém curta.
Quando Artem fez 20 anos, seu pai faleceu repentinamente, deixando toda a fortuna para Vera. Mais tarde, ela passou o comando da empresa para seu filho.
Mas em fevereiro, ocorreu um acidente. O carro de Vera foi atingido por um motorista bêbado. Vários ossos quebrados e agora ela precisava de cuidados constantes.
— Finalmente! Onde você estava? — resmungou sua sogra quando Alina e as crianças chegaram aos portões da mansão.
— E a vovó está feliz em nos ver? — perguntou Liza, sorrindo.
— Só não quebrem nada! — avisou Vera, com severidade, quando as crianças correram para abraçá-la.
— Alina, não fique aí parada. Vera vai te explicar o que você precisa fazer — disse ela, fazendo um gesto com a mão e, apoiada em uma muleta, se dirigiu para a casa.
Enquanto isso, no apartamento de Artem em Moscou, o som dos saltos altos de Anastasia ecoava pelo corredor. Com um sorriso satisfeito, ela empurrou sua mala para o hall de entrada.
— Que conveniente você ter enviado sua esposa para a casa de campo — comentou, olhando para ele.
— Mas você tem certeza de que ela não vai voltar?
— Eu disse a ela que estarei completamente focado no trabalho pelos próximos seis meses. Eu mesmo empacotei todas as coisas dela.
O romance de Artem e Anastasia começou há um ano. Artem havia procurado propositalmente uma assistente, porque tinha planos maiores. E não se enganou.
Ela estava casada, mas o marido dela não alcançava o nível de vida que Anastasia desejava.
— Por que você ainda não se divorcia? Já estamos juntos há tanto tempo… — suspirou Anastasia.
— Querida, eu já te falei: tenho filhos, são pequenos.
— Eu faria tudo por você… O divórcio é só uma questão de semanas — ela piscou para ele.
Naquela noite, eles discutiram por muito tempo. Anastasia só se acalmou quando Artem aumentou o salário dela como compensação.
Enquanto isso, Alina ia se adaptando à vida na casa de sua sogra. Todos os dias, ela era lembrada das suas tarefas.
A história continua quando Artem dá a Alina uma notícia surpreendente, para a qual ela não estava nada preparada.







