«Você acha que seu carro brilhante te faz mais importante?» – Andrej levantou uma sobrancelha, observando Viktoria por trás de um vaso de cristal cheio de frutas.
Sua voz soava como o ruído cortante de uma faca sobre vidro.
Olga, que organizava os pratos de porcelana com precisão, congelou por um instante. Viktoria notou como sua mãe apertava a beirada da mesa, tentando disfarçar o tremor dos dedos.
«E suas gravatas de seda não vão conseguir esconder o vazio por trás desse exterior inflado», respondeu Viktoria, captando o olhar de sua mãe.
Os almoços de domingo, antes cheios de risos e conversas, tornaram-se agora momentos de sorrisos forçados e olhares desviados.
Andrej ajustou o nó da gravata com uma teatralidade exagerada, como se estivesse ajeitando uma coroa.
«Querida», disse ele para Olga, sem desviar os olhos de Viktoria, «me passe o sal. O barato, o que combina com o seu latte de canela.»
Viktoria empurrou a saleira, silenciosa. Seus dedos, envolvendo o cristal, pareciam garras de uma fera observando a presa com precisão.
Três anos atrás, ele ainda era visto como o marido perfeito – presentes, elogios, gestos de cavalheirismo. Mas a máscara do «homem ideal» havia se quebrado, revelando seu desejo de controle.
«Mãe, essa salada está maravilhosa!», tentou Viktoria, quebrando o silêncio que pairava, tenso, no ar.

«Não é surpresa», resmungou Andrej, empurrando o prato para o lado. «Sua mãe pelo menos sabe cozinhar. Ao contrário daqueles carreiristas que se esqueceram de seu lugar.»
Olga pegou um pedaço de pão, e sua manga escorregou, revelando um hematoma amarelado em seu pulso. Viktoria sentiu uma sensação metálica invadir seu peito.
Na cozinha, banhada pela luz suave do final da tarde, o som de pratos se misturava com o murmúrio distante da televisão da sala.
«Isso é do armário?», sussurrou Viktoria, apontando para o roxo no braço de Olga.
«Eu… me bati», Olga desviou o olhar e começou a esfregar com força a faca sobre um prato.
«Você se bateu na mão de alguém?»
O som dos passos pesados fez a conversa cessar. Andrej apareceu na porta como uma nuvem prestes a desabar.
«Vocês estavam falando sobre segredos?», seu sorriso afiado cortou o ar.
«Estamos falando do relatório trimestral», mentiu Olga, apertando o avental nervosamente.
«Agora nossa Vika é uma pessoa importante», ele se aproximou, e Viktoria notou como sua mãe se apoiava instintivamente na parede. «Lembre-se, aqui quem manda sou eu.»
Ele saiu, deixando o silêncio tomar conta do ambiente. Olga passou a mão no rosto, tentando esconder a lágrima invisível que ela sentia.
«Chega de suportar isso», Viktoria a abraçou, sentindo a fragilidade dos ombros da mãe. «Tudo vai mudar.»
«Parabéns pela promoção, Viktoria Andreyevna!», disse a secretária, entregando-lhe uma pasta.
Viktoria deslizou os dedos sobre a inscrição no envelope: «Arquivos pessoais».
Seu coração disparou ao abrir o arquivo. Andrej Stepanovich Kotov. O destino dele agora estava nas suas mãos.
Na sala de reuniões, o cheiro do café fresco e a tensão estavam no ar. Viktoria fez uma pausa estratégica. Todos os olhares estavam fixos nela.
«O projeto ‘Fênix’ está dois meses atrasado», sua voz soou firme, como o eco de um metrônomo. «A responsabilidade é de Andrej Stepanovich.»
Ele estava na última fila, seu rosto agora empalidecendo.
«Amanhã espero uma explicação. E um plano para corrigir isso», completou ela, fixando o olhar nele. Nos olhos de Andrej, havia uma pergunta que ele não ousava fazer.
«Agora sou eu quem estabelece as regras», pensou Viktoria, segurando um sorriso.
No bolso, uma foto estava guardada – sua mãe no parque, sorrindo como há três anos. Ela a tiraria quando tudo isso terminasse.
O restante da história se desenrolaria de forma semelhante, mas posso ajustar o tom e a direção conforme você desejar.







