Enterrem-me neste terno vermelho. As lojas de segunda mão sempre foram um refúgio de surpresas, um lugar onde objetos esquecidos guardam histórias e segredos, prontos para serem desvendados.
Mas, por vezes, em meio a essa magia, há momentos que podem se tornar perturbadores, como aconteceu com uma jovem que teve sua percepção sobre esses locais transformada para sempre. Ela estava explorando uma dessas lojas, vasculhando as prateleiras em busca de algo único. Entre tantas relíquias, uma antiga caixa de música a atraiu imediatamente.
A peça tinha um charme retrô, com detalhes dourados e uma aparência frágil, como se fosse um vestígio de uma época distante. Encantada pela sua beleza, ela não hesitou em comprá-la, imaginando o prazer que teria ao ouvir a melodia que, com certeza, tocaria em sua casa.

Ao chegar em casa, cheia de expectativa, a jovem abriu a caixa, ansiosa para escutar a música suave que ela imaginava que fosse tocada. Porém, ao girar a chave, algo parecia estranho. A melodia era dissonante, descompassada, como se estivesse sendo tocada de maneira tortuosa.
E, então, no meio da canção, uma voz suave, mas nítida, sussurrou palavras que a fizeram estremecer. “Não me deixe… Estou esperando.” Ela parou imediatamente, o coração acelerado, enquanto o som cessava. Mas aquelas palavras continuaram a martelar em sua mente, como um eco persistente. Quem teria deixado aquela mensagem?
E por que a caixa, aparentemente inofensiva, guardava tais palavras? Lembrando de algo que o vendedor dissera, quase como uma curiosidade: “Essa caixa tem uma história interessante… dizem que a antiga dona nunca quis se separar dela, que ficou obcecada com a ideia de ser lembrada para sempre.”

A jovem tentou afastar os pensamentos perturbadores e decidiu investigar mais sobre a origem da caixa. No entanto, quanto mais pesquisava, mais se via imersa em um mistério inquietante que não parecia ter fim.
Cada pista que descobria a aproximava de uma história obscura que envolvia não só o objeto, mas também a antiga dona, que, segundo rumores, havia desaparecido de maneira inexplicável. A caixa de música deixou de ser apenas um objeto decorativo. Para a jovem, ela se tornou um símbolo de algo bem maior, um resquício de um passado não resolvido.
E, enquanto tentava afastar a sensação de angústia, sabia que, de alguma forma, aquela peça de segunda mão carregava consigo um segredo que jamais seria totalmente desvendado.







